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Programa de proteção

Food Defense

Proteção contra atos intencionais de contaminação ou sabotagem.

O que é Food Defense

Food Defense é o conjunto de medidas que protege o alimento e a cadeia de fornecimento contra atos intencionais de contaminação, sabotagem ou ataque. A segurança de alimentos tradicional trata de riscos não intencionais; o Food Defense trata da ameaça deliberada: quem poderia agir, com que motivação e por onde.

A definição da GFSI abrange todas as formas de ataque malicioso intencional, inclusive o de motivação ideológica, que leve à contaminação ou a um produto inseguro. A fraude por ganho econômico fica de fora e tem requisito próprio. A BRCGS Food Safety e a FSSC 22000 pedem a avaliação das ameaças e um plano de proteção.

Como o risco é avaliado

A ferramenta mais usada é o TACCP (Threat Assessment Critical Control Points). A lógica é parecida com a do APPCC, mas o foco são pessoas com intenção de causar dano, e não perigos acidentais. A metodologia está descrita na PAS 96, publicada pelo BSI. A edição vigente, a quinta, é de maio de 2026 e organiza o TACCP no ciclo PDCA.

As normas não impõem o método. A FSSC cita o TACCP, o CARVER+Shock e o Food Defense Plan Builder, da FDA, como os mais difundidos.

  1. Formar a equipePessoas que conhecem o processo, a cadeia de fornecimento e a segurança patrimonial, com treinamento para a avaliação.
  2. Identificar ameaçasQuem poderia agir: pessoas internas, externas, terceiros e atores da cadeia de fornecimento, com suas motivações.
  3. Avaliar probabilidade e impactoPriorizar as ameaças pelo efeito que teriam sobre o consumidor, a marca e a operação.
  4. Localizar vulnerabilidadesOnde o processo e a cadeia estão mais expostos.
  5. Definir medidas de mitigaçãoAcesso físico, processo e engenharia, tecnologia, controles específicos do produto, detecção de violação e segurança de pessoas.
  6. Planejar a resposta e revisarResposta a incidentes, inclusive cibernéticos, continuidade do negócio, treinamento e revisão periódica do plano.

O que mudou na PAS 96:2026

A quinta edição substitui a PAS 96:2017, que foi retirada. É uma revisão completa. As mudanças principais:

  • Ameaça cibernéticaIncidentes cibernéticos entram como ameaça à operação, com orientação para a resposta.
  • Cenário de ameaçasConsidera a fragilidade das cadeias de suprimento exposta após a Covid-19 e o efeito das mudanças climáticas, que podem causar escassez de ingredientes.
  • Agentes de ameaçaO vocabulário muda: os “atacantes” passam a ser “agentes de ameaça” (threat actors).
  • TACCP no ciclo PDCAA metodologia foi ampliada e organizada em planejar, fazer, verificar e agir.
  • Defesa e fraude, separadasO documento distingue o dano intencional causado por agentes de ameaça da fraude por vantagem econômica.
  • Ferramentas em anexosAs perguntas para identificar ameaças, vulnerabilidades e medidas de mitigação foram para anexos, com exemplos e estudos de caso.

Tipos de ameaça e agentes

A PAS 96:2026 trata de três tipos de ameaça e descreve sete perfis de agente de ameaça: criminosos cibernéticos, oportunista, extremista, indivíduo irracional, indivíduo descontente, criminoso profissional e extorsionário. O perfil ajuda a estimar a motivação, o acesso provável e as medidas proporcionais.

Tipos de ameaça

  • Adulteração intencional para causar dano (terrorismo alimentar)
  • Interrupção das operações do negócio (crime cibernético)
  • Adulteração intencional por ganho econômico (fraude de alimentos)

Onde costuma haver vulnerabilidade

  • Recebimento e descarga de matérias-primas
  • Tanques, silos e pontos de dosagem
  • Água e utilidades em contato com o produto
  • Armazenagem de produtos químicos
  • Acesso de visitantes, prestadores e motoristas
  • Sistemas de informação e de controle do processo

O que as normas pedem

  • BRCGS Food Safety, seção 4.2Avaliação documentada das ameaças, internas e externas, que gera o plano de defesa dos alimentos. O plano é revisto no mínimo uma vez por ano e sempre que surge um risco novo ou ocorre um incidente (4.2.2). Áreas de risco significativo são definidas, monitoradas e controladas, e os funcionários são treinados (4.2.4).
  • FSSC 22000, requisito adicional 2.5.3Avaliação de ameaças e plano de defesa dos alimentos desenvolvidos e mantidos por pessoal competente e apoiados pelo sistema de gestão. Na versão 7, de maio de 2026, o requisito vem em conjunto com a cláusula 16.2 da ISO 22002-100:2025.
  • FDA, regra de adulteração intencionalQuem fornece para os Estados Unidos pode estar sujeito à regra da FSMA (21 CFR Parte 121). A FDA publica o método CARVER+Shock e o Food Defense Plan Builder.

Food Defense e Food Fraud

Os dois temas são próximos e costumam ser confundidos. Food Defense trata de ameaças intencionais de contaminação ou sabotagem; Food Fraud trata da adulteração intencional por ganho econômico.

Ver Food Fraud →

Referências usadas

  • BSI · PAS 96:2026Food defence: protection and prevention from deliberate acts. Guide. Quinta edição, maio de 2026, em vigor desde 31/05/2026. Substitui a PAS 96:2017.
  • FSSC 22000 · Guidance Document: Food DefenseVersão 6 do esquema, edição de julho de 2023. Definição da GFSI, requisito 2.5.3, implementação, equipe e auditoria.
  • FSSC 22000, versão 7.0Maio de 2026. Parte 2, requisito 2.5.3.
  • BRCGS · Food Safety, Issue 9Seção 4.2, defesa de alimentos.
  • FDA · CARVER + Shock PrimerVisão geral do método para avaliações de vulnerabilidade do setor de alimentos, setembro de 2009.

Perguntas frequentes

O que é a avaliação de ameaças (TACCP)?

É uma metodologia para identificar e priorizar ameaças intencionais ao produto e à cadeia de fornecimento: quem poderia agir e por onde, qual a probabilidade e o impacto, e quais controles são proporcionais ao risco. A avaliação de vulnerabilidade (VACCP) trata da fraude por motivação econômica.

A PAS 96 foi atualizada?

Sim. A quinta edição, publicada pelo BSI em maio de 2026, substitui a de 2017. Ela reconhece o risco cibernético, organiza o TACCP no ciclo PDCA e passa a falar em agentes de ameaça. Vale revisar a avaliação de ameaças existente à luz da nova edição.

Qual a diferença entre Food Defense e Food Fraud?

No Food Defense há intenção de causar dano, como sabotagem, extorsão ou ataque ideológico. No Food Fraud a motivação é econômica: o fraudador busca lucro e, em geral, não pretende causar dano à saúde, embora isso possa ocorrer. As metodologias e os controles são diferentes, mas as normas GFSI costumam pedir as duas avaliações.

Food Defense é obrigatório fora de uma certificação?

Depende do mercado. As normas GFSI, como a BRCGS e a FSSC 22000, exigem, e muitos clientes exigem dos fornecedores. Quem exporta para os Estados Unidos pode estar sujeito à regra de adulteração intencional da FDA (Intentional Adulteration, 21 CFR Parte 121), no âmbito da FSMA. No mercado interno, a exigência costuma vir do cliente ou da norma adotada. Confirme o enquadramento do seu caso.

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